IGREJA&MINISTÉRIO

7 coisas que o seu pastor não diz pra você
Ser pastor no mundo de hoje é um grande desafio. Muitos nos julgam por verem pastores na televisão, outros pelo seu pastor anterior. A maioria não entende o que realmente o pastor faz. Por isso segue algumas coisas que ele não diz pra ninguém.
1.      Eu não trabalho apenas nos finais de semana.
Há uma infinidade de responsabilidades no trabalho de um Pastor que exigem muito mais tempo e trabalho duro do que nos finais de semana. Desde a preparação do sermão, pois a mensagem não aparece espontaneamente na cabeça do pastor, treinamento para a liderança, aconselhamento para jovens, adultos, casais, visitação, estudos bíblicos e etc. Os pastores trabalham duro durante a semana e aos finais de semana.
2.      Estou disponível 24 horas por dia, 7 dias da semana.
Muitas vezes o pastor coloca a sua vida pessoal em espera para cuidar dos membros da igreja. É fácil ver ele no hospital até horas da noite ou logo cedo depois de uma chamada telefônica de uma esposa que pede para o pastor conversar com seu marido. A qualquer momento ele é chamado para resolver quase qualquer coisa. E dificilmente se pensa no horário ou na vida privada do pastor.
3.      Casar, e até fazer o velório, é como levar um pedaço de mim embora.
Às vezes o pastor tem que enterrar um amigo de longa data e isso é doloroso demais. Outras vezes, ele tem que trabalhar num casamento que está a beira do divórcio, e isso é muito duro, pois foi ele mesmo que deu a bênção no dia da cerimônia. Se não cuidar do lado emocional é fácil cair em depressão ou ter uma vida com alto stress.
4.      Ser um Pastor é ter quase sempre uma vida solitária.
Devido a natureza do trabalho, as vidas sociais, emocionais e espirituais do pastor estão muito interligadas. E por isso, é difícil encontrar um amigo para se ter uma boa amizade. O pessoal de fora da igreja não entende o seu verdadeiro trabalho e os de dentro podem não entender como o pastor também precisa desabafar ou demonstrar suas fraquezas. Há coisas precisa desabafar, mas não pode, devido estar numa posição de liderança espiritual.
5.      Eu sou criticado e julgado quase todo dia.
A maioria dos pastores são colocados num pedestal pelos membros de sua igreja. E todos tem uma alta expectativa dele. Tudo nele é analisado. Se prega bem, se visita bastante. Se é humilde, se gasta demais, se tem carro bom, se lava o carro, se não lava o carro. Se anda bem vestido, se não anda bem vestido. As fofocas correm soltas de tudo o que ele faz. É difícil deixar todos felizes.
6.      Às vezes eu quero falar sobre assuntos que não são de igreja.
Acredite você ou não, a maioria dos pastores também tem seus hobbies e gostam de falar desse assunto. Almejam curtir um pouco a vida fazendo o que gostam, por isso querem sair com um amigo para praticar o seu hobby. Isso não é pecado e faz muito bem para a alma.
7.      Eu não tenho todas as respostas.
Surpresa! Sim, pastores foram para a escola e estudaram a Bíblia e continuam a estudar todos os dias para o seu trabalho. Sim, todos oram por sabedoria e orientação diária. Mas, mesmo assim, os pastores ainda continuam sem serem onisciente. Não sabem todas as coisas. E isso não o faz ser um pastor desqualificado para a sua igreja.
Da próxima vez que encontrar o seu pastor agradeça-o por estar se dedicando a ser um ministro de Deus.
Se você souber mais coisas que o seu pastor não diz para você, acrescente nos comentários.


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SOBRE O SERVIÇO E SUAS MOTIVAÇÕES




Servir pessoas é uma obrigação e um privilégio. Martin Luther King Jr. disse que “quem não vive para servir, não serve para viver”. Jesus, nosso modelo maior, lembrou que não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate de muitos. A igreja, como corpo de Cristo e sinal da presença concreta do Reino de Deus entre os homens, deve ser servidora e agente de transformação. Caso contrário, não é Igreja nenhuma.

Há muitas maneiras de servir. Há muitas pessoas que dedicam suas vidas ao serviço do próximo. Até mesmo a sociedade em geral já descobriu a importância do serviço solidário nas suas mais diferentes aplicações. A principal questão é: com que motivação servimos? O que, exatamente, nos move ao amparo e à solidariedade?

Uma das motivações comuns é a necessidade. Servir é necessário. A ausência de iniciativas relevantes de serviço é uma das razões pelas quais o mundo torna-se, cada dia, um lugar mais inóspito. Se não fizermos nada pelo bem coletivo, breve sofreremos as conseqüências do avanço da miséria, da violência e da maldade humana. Quem serve ao próximo, na perspectiva da necessidade, serve a si mesmo e às futuras gerações.

Outra motivação bastante comum é a oportunidade. As pessoas que servem, neste caso, esperam receber uma recompensa por isso. Terrena ou celestial. A terrena refere-se aos rendimentos, hoje cada vez mais atrativos para quem trabalha no chamado “terceiro setor”. A celestial é a expectativa das religiões, sobretudo daquelas que acreditam poder conquistar a salvação pela prática do serviço e da caridade.

Estas motivações podem ser nobres, mas não são cristãs. A Igreja verdadeiramente servidora é motivada pela consciência de dívida. Havendo, ou não, necessidade. Havendo, ou não, recompensa futura. Servimos aos homens como quem serve a Deus. Servimos a Deus como quem reconhece o alto preço que pagou por nossas vidas. Servimos a Deus por amor. Nas palavras de João: “porque Ele nos amou primeiro”.
Duas palavras significativas caracterizam este amor e nos ajudam a servir com cada vez maior motivação: graça e misericórdia. Graça diz respeito a tudo aquilo que não merecemos e Deus faz por nós. Misericórdia, a tudo aquilo que merecemos e Deus não faz. Merecemos juízo e punição, mas Deus nos perdoa e salva. Não merecemos bênçãos ou promessas, mas Deus nos inunda de maravilhosas razões para a alegria. Assim é Deus, tão bondoso. 

Por isso, servimos. Eis o motivo pelo qual o próximo é assumido como alvo de nossa solidariedade e amor. Deus nos visitou com graça e misericórdia; perdoou-nos e salvou-nos. Abençoou nossas vidas com toda sorte de bênçãos. Somos devedores. Incapazes de pagar por tamanha graça. Servidores, como quem espera não a solução necessária, não a recompensa prevista, mas agradar um Deus tão generoso, responsável por nos dar a vida que tanto desejamos. 

Ao serviço, motivados pelo amor.

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3 significados do que é pastorear o rebanho de Deus


Para algumas pessoas, a palavra “pastor” traz à mente pinturas em azul cor-de-água em berçários de igreja. O pastor está ninando uma ovelha enquanto o sol se põe atrás dele em borrifadas de cor. Ou ele está se inclinando sobre o seu cajado, olhando por cima de um campo verde como um giz de cera. Ele tem olhos azuis e um cabelo longo e ondulado, seu olhar é solene e sua túnica está sem mancha alguma.
Mas quando o apóstolo Pedro usou a palavra “pastor”, seus leitores imaginariam um trabalhador de gado. Esse cara está trabalhando 24 horas por dia, 7 dias por semana, vigiando pastos, cercando os animais que fogem, dispensando os primeiros socorros, consertando chifres quebrados, certificando-se que as ovelhas estão seguras e bem alimentadas. Esse rapaz trabalha duro, fica sujo e ainda sabe como manejar como ninguém seu cajado.
Quando Pedro diz “pastoreai o rebanho de Deus” (1Pedro 5.2), ele tem tudo isso em mente. Um pastor do povo de Deus é responsável por cuidar dele. Ele é responsável por o alimentar com a Palavra de Deus em sua pregação, aconselhamento e até mesmo nas conversas do dia-a-dia. Ele é responsável por proteger a ovelha dos falsos mestres, do veneno da falsa doutrina e da influência do mundo. Há uma razão pela qual “pastorear” é a metáfora mais proeminente na Escritura para o papel do pastor. “A responsabilidade fundamental dos líderes da igreja”, diz Tim Witmer, “é pastorar o rebanho de Deus”. Seu sucesso no ministério está sempre ligado com o bem-estar dele.
Mas com o que, exatamente, se parece o pastorear o rebanho de Deus? Significa algumas coisas diferentes.
Significa ansiar e estar disposto a vigiar
O termo “pastoreai” (1Pedro 5.2) vem do grego episkopeo. Ele significa literalmente “considerar” e inclui a ideia de olhar cuidadosamente ou assistir diligentemente. Em seu livro Shepherds After My Own Heart [Pastores Segundo o Meu Coração], Timothy Laniak o define como “uma atenção vigilante para ameaçar o que possa dispersar ou destruir o rebanho”. O pastor é um guardião com botas no chão, pronto para ser usado pelo Supremo Pastor para guiar e proteger seu rebanho.
Significa amar
Falando praticamente, pastorear quer dizer amar as pessoas. Você não pode amar ministrar e ser odiado pelas pessoas. A convocação é um chamado para amar as ovelhas. “Amar pregar”, Lloyd-Jones diz, “é uma coisa; amar aqueles para quem nós pregamos é totalmente outra coisa”. Um homem convocado por Deus para liderar o rebanho dele ama ambas as coisas. E ambas são essenciais para a tarefa. O estudo e a reflexão requeridos do pastor não o tornarão um ermitão acadêmico; ao invés disso, o estudo dele deve levá-lo a nutrir mais eficazmente a igreja. Ele deve possuir uma capacidade básica de comunicar o coração e o amor de Deus ao povo de Deus.
Significa conectar o cuidado do Supremo Pastor 
A igreja local imerge os pastores nas coisas da vida. Considere os mistérios da experiência humana – o casal sem filhos que acabou de ter o terceiro aborto espontâneo, o novo convertido ainda preso num vício que durou sua vida toda, o provedor que trabalha duro que acabou de perder o emprego, o pecador que está morrendo confrontando a certeza do drama. Nesses momentos desesperadores, quem é apontado para guiar o povo de Deus pelos vales inexplicáveis para beber nas correntes da providência e da bondade de Deus? Quem irá nos lembrar que o Supremo Pastor é o Bom Pastor (João 10.11)? Ninguém além dos pastores da igreja. Que gloriosa exibição da graça de Deus: criar um escritório especial para nosso cuidado durante tempos de tribulação e sofrimento. Longe dos holofotes e das mídias de comunicação da Cristandade, cuidando do trabalho de pastor na obscuridade, para guardar as almas das pessoas. Eles conectam as ovelhas ao Supremo Pastor.

Tradução: João Pedro Cavani
Revisão: Yago Martins

Como receber a palavra de Deus

por Jordan Standridge

Você já pensou na frequência com que é exposto à palavra de Deus?
Cada vez que você abre a Bíblia para se encontrar com o Senhor, o Deus do universo fala. Cada vez que você vai a um pequeno grupo e discute uma passagem da Escritura, ele está falando. Quando você cita versículos de cabeça, Ele está falando. Quando exposto à Sua palavra, Ele te fala quem Ele é, como viver, como as pessoas são e até sobre o futuro.
É algo muito perigoso ser exposto à palavra de Deus, pois, toda vez, uma dessas duas coisas acontecem: ou você se torna mais parecido com Jesus Cristo, ou será endurecido à verdade e se torna mais frio em relação a Jesus.
Steve Lawson diz o seguinte em sua biografia de João Calvino:
“Nós devemos ter a mesma reverência com as Escrituras que temos para com Deus, pois ela vem dEle mesmo, e não há nada nela que seja do homem”. Essa era a fundação inabalável da pregação de Calvino – a autoridade da Escritura divinamente inspirada. Ele cria firmemente que quando a Bíblia fala, Deus fala”
Por causa desse perigo de ser exposto à Escritura, Tiago, o irmão de Cristo, em Tiago 1.19, está preocupado com a Igreja. Ele já os alertou sobre a iminência da tentação, da perseguição, e agora quer que eles estejam preparados para receber a palavra de Deus. Nesse único verso ele dá três curtos imperativos que nos lembram da importância de como reagir à palavra de Deus quando somos expostos a ela:
Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.

Pronto para ouvir

As pessoas tem dificuldade para ouvir, hoje em dia. Recentemente assisti o filme Bambi com meus filhos, e fiquei chocado com a lentidão dos personagens, com o quão pouco acontecia na tela. Os desenhos de hoje em dia são muito diferentes, tudo é mais rápido, maior, mais brilhante, com muito mais coisas acontecendo. Precisamos encarar o fato de que temos dificuldade para prestar atenção. E Tiago quer que nos certifiquemos que estamos alertas e ouvindo sempre que ouvimos sobre Deus.
Precisamos nos preparar com antecedência. Para ouvir a palavra, precisamos estar alertas. Precisamos dormir o suficiente, orar, nos arrependermos de nossos pecados e nos esforçarmos para deixar de fora nossas tentações e distrações para que possamos estar plenamente preparados para nos colocarmos sob a Escritura.
Em Tiago 1.21, ele nos diz para nos despojarmos de toda a impureza; em outras palavras, precisamos limpar nossos ouvidos. Você provavelmente já viu o ouvido de uma criança cheio daquela cera horrível. Eu já tive que limpar alguns assim. Da mesma forma, nós precisamos limpar nossas pressuposições equivocadas e substituí-las pelas de Deus. Devemos vir à palavra prontos para ouvir e prontos para sermos transformados, porque nada pode nos mudar à parte da palavra de Deus.

Tardio para falar

Em outras palavras, “cale-se!””. Pare de falar consigo mesmo. Se, quando alguém te confronta, você já fica na defensiva e começa a se defender ou mudar o assunto, é provável que você esteja falando muito rápido e não esteja ouvindo. Durante o sermão, sempre somos tentados a pensar “uau, eu queria que o ______ estivesse aqui para ouvir isso!”, ao invés de deixarmos a palavra de Deus nos moldar. Ou, talvez, na metade do sermão, você já está pensando no que vai fazer após o culto ou após a reunião do pequeno grupo. Ou, durante a leitura da Bíblia, de alguma forma você lê um capítulo inteiro e não se lembra de uma única palavra que leu porque estava pensando em outra coisa o tempo todo. Pare, cale-se e ouça a palavra.
Receber a palavra significa que você não é tão rápido para dizer o que pensa. Você não é um tagarela que dá sua opinião sobre tudo antes mesmo de ser perguntado. Precisamos praticar o ouvir e praticar o não falar, pois quanto menos você pensa sobre o que você tem a dizer, mais você pensará sobre o que Deus tem a dizer.
Se você valoriza sua opinião e pensa muito de si mesmo, então a palavra não vai significar muito para você.

Tardio para se irar

Você precisa estar disposto a admitir para si mesmo que você é imperfeito. É fácil fazer isso na salvação. Quando fomos convertidos, dissemos que somos pecadores terríveis e merecíamos o inferno. Mas o processo da santificação só pode acontecer se você estiver disposto a continuar a dizer que é pecador. Que você continua precisando de ajuda. Uma das formas de saber se você está recebendo a palavra de Deus com a atitude correta é se você é tardio para se irar quando é confrontado pela Bíblia. Seja o pregador, alguém do grupo de estudos ou mesmo algum amigo próximo, precisamos ser tardios para nos irarmos quando enfrentados pela palavra de Deus.
Como reagir à confrontação?
A chave para receber a palavra de Deus é mansidão. Veja Tiago 1.21: “acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma”. O ponto dessa passagem é receber a palavra de Deus, mas a única forma de recebê-la corretamente é por meio da mansidão.
  • Ser pronto para ouvir só vai acontecer se, com mansidão, você entender que precisa ouvir a palavra. Você absolutamente precisa dela!
  • Ser tardio para falar só vai acontecer se, com mansidão, você crer que o que você tem para dizer não é tão importante, e o que realmente é importante é a Bíblia.
  • Por fim, você pode avaliar sua mansidão quando é confrontado pela palavra de Deus e não se ira, mas humildemente admite que precisa mudar.
Assim, como sabemos se estamos recebendo a palavra de Deus e ela está frutificando em nossas vidas? Tiago 1.22 diz que há um resultado. Você irá praticar o que ela diz! A resposta correta à palavra de Deus sempre irá resultar em aplicação. Quando somos expostos à palavra de Deus, se aplicarmos esses versos, estaremos mais do que prontos para obedecer nosso Senhor em tudo.

O papel da música na vida da igreja

por Rob Smith

O cristianismo é uma fé musical. Essa é uma das características pela qual os seguidores
de Jesus são conhecidos ao longo da história e ao redor do mundo. Embora a quantidade de música tenha variado de acordo com a época e com o lugar, grande parte das igrejas de hoje dedicam cerca de um terço de seu tempo reunido ao canto congregacional e investem uma quantidade considerável de tempo, dinheiro, esforço e energia no aspecto musical da vida da igreja.
Mas por que nós cantamos? Qual é o objetivo do nosso canto? Que propósitos ele realiza? De acordo com a Escritura, Deus nos criou e nos chamou para cantar por três razões principais: para nos ajudar a louvar, para nos ajudar a orar e para nos ajudar a proclamar. Vejamos cada uma dessas razões:

1. Cantar nos ajuda a louvar

Não há como fugir do fato de que o canto é uma forma vital de louvor. Muito da Escritura (particularmente os Salmos) são prova disso. Não apenas eles conectam louvor diretamente com o canto, mas também falam frequentemente das dimensões verticais e horizontais do louvor, adoração e proclamação, praticamente de uma vez só. Considere, por exemplo, os primeiros versos do Salmo 96:
Cantai ao SENHOR um cântico novo; cantai ao Senhor, todas as terras!
Cantai ao SENHOR, bendizei o seu nome; proclamai a sua salvação, dia após dia.
Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos, as suas maravilhas!
Porque grande é o SENHOR e mui digno de ser louvado; temível mais que todos os deuses.
Enquanto o louvor não é reduzido apenas à música, o argumento desse e de outros Salmos não poderia ser mais claro. Nós cantamos para o Senhor, engrandecendo seu nome, e cantamos sobre o Senhor, declarando sua glória. E, claro, nós muitas vezes (se não sempre) fazemos ambos ao mesmo tempo. Pois mesmo quando estamos cantado sobre o Senhor para outros, ele está presente para receber nosso louvor. A importância de cantar os louvores de Deus é evidente no número de vezes que é ordenado na Escritura (por exemplo, Êxodo 15.21; Salmo 147.1, 7; 149.1, 5; Sofonias 3.14; Zacarias 2.10; Tiago 5.13). Embora a maioria dessas exortações estejam no Antigo Testamento, particularmente nos Salmos, as exortações de Paulo aos cristãos para que cantem os Salmos em conjunto (Efésios 5.19; Colossenses 3.16), esses mandamentos claramente ainda são relevantes.
Tais mandamentos são necessários porque o louvor sincero nem sempre é natural para o povo de Deus. Na verdade, há uma série de forças contra nós (sobrenaturais e terrestres, externas e internas), buscando nos desviar de dar a Deus o louvor que é dele por direito e que deve ser dado a ele em todas as circunstâncias – não apenas com as nossas vidas, mas também com os nossos lábios, não apenas ao falar, mas também em música. Assim, se não estivermos atentos a esse perigo, corremos o risco de privar Deus de seu louvor – talvez porque tememos parecer tolos ou tememos o que os outros podem pensar de nós ou da nossa voz. O resultado de se submeter a esses medos é que tendemos a nos conter, disfarçar nossa gratidão e talvez até não prestarmos atenção nas palavras que estamos cantando.
Claro, o antídoto não é ignorarmos os que estão ao nosso redor sem nos preocuparmos em como os afetamos. Na verdade, a vontade de Deus é que devemos considerar uns aos outros e adorá-lo de uma forma que os edifique (1 Coríntios 14.19). Mas a preocupação cristã pelo próximo está a um milhão de quilômetros de distância do temor do homem – um temor que é, em última instância, idólatra e egocêntrico. Assim, dado que é o propósito de Deus que o adoremos “de todo o coração” (Salmo 9.1, 86.12, 111.1, 138.1; Efésios 5.19), é imperativo que nós lembremos regularmente, a nós mesmos e aos outros, que Deus verdadeiramente merece nosso louvor (Salmo 7.17, 18.3, 177.1), que ele repetidamente demanda nosso louvor (Salmo 47) e que ele deseja o nosso louvor.
Esses lembretes são necessários para garantir que o Deus que não nos privou de nada, nem de seu próprio Filho, receba mais do que migalhas de nossa atenção e as sobras de nossa afeição. Porque ele merece, demanda e deseja nosso louvor de todo o coração, é nosso dever mais alto e maior alegria dá-lo a ele.

2. Cantar nos ajuda a orar

Pode não ter ocorrido a nós antes, mas cantar é (ou pode ser) uma forma de oração. O livro dos Salmos, novamente, é nosso maior exemplo, uma vez que uma grande proporção dos Salmos são, ou contém, orações (Salmo 3-8, 9-10, 12-13, 16-18). E, se há uma coisa que nós sabemos sobre como os Salmos funcionavam na vida do povo de Israel, é que muitas dessas orações eram cantadas – como foram criadas para ser. Mais do que isso, como já notamos, eles também eram cantados pela igreja do Novo Testamento (Efésios 5.19, Colossenses 3.16, Tiago 5.13).
Isso significa, então, que exortações a cantar os Salmos incluem o mandamento de cantar orações. O grande valor de cantar nossas orações é que a atividade de cantar nos ajuda a abordar as dimensões emocionais das verdades que estamos dizendo ou as petições que estamos rogando. Em outras palavras, cantar tem um papel crítico em nos ajudar a preencher o espaço entre os aspectos cognitivos e afetivos da nossa humanidade, e como muitos dos Salmos de lamento ilustram, em nos ajudar a processar nossa dor e emocional de forma que nos leva a louvar (Salmo 3, 7).
Cantar os Salmos, então, é uma coisa imensamente poderosa de se fazer. Não apenas estamos orando enquanto cantamos, mas estamos orando palavras divinamente inspiradas. Cantar essas palavras nos ajudam a abordar e expressar não apenas as dimensões conceituais das verdades que estamos articulando, mas suas dimensões emocionais também.
Mas, é claro, nós não precisamos nos restringir a cantar e orar apenas os Salmos. Não apenas há muitas outras canções baseadas na Bíblia (e muitas outras partes da Bíblia que podem ser cantadas como orações), mas as Escrituras não nos restringem a cantar e orar apenas a Escritura. Desde que estejamos cantando e orando de acordo com a vontade de Deus (conforme revelada na Escritura), estamos em solo firme. Assim, devemos nos sentir livres para usarmos o rico e histórico tesouro dos recursos musicais e litúrgicos desenvolvidos por gerações passadas para nos ajudar em nossas orações. Isso, é claro, inclui muitas traduções parafraseadas e metrificadas dos Salmos, assim como uma quantidade quase sem fim de hinários desde os primeiros de Isaac Watts.
Quando estamos cantando, também estamos orando – quer percebamos ou não. Estamos pedindo coisas a Deus em nossas músicas, tanto pessoalmente quanto corporativamente. Entretanto, claramente é bom para nós que estejamos conscientes do que estamos fazendo e do que estamos dizendo, para orar e cantar com nossas mentes completamente envolvidas (1 Coríntios 14.15). Então não se surpreenda quando alguém introduzir uma música no próximo Domingo dizendo “levantemos nossas vozes em oração ao cantarmos a próxima música”, pois muitas vezes é exatamente isso que estamos fazendo.

3. Cantar nos ajuda a proclamar

Além de ser uma forma de louvar e uma forma de orar, cantar também é uma forma de proclamar. Já falamos sobre isso antes, em relação à dimensão horizontal do louvor. Meu foco aqui, entretanto, é na música como uma forma de edificação mútua. Pois as Escrituras revelam que a palavra vivificadora de Cristo é ministrada ao povo de Deus não apenas pela leitura e pregação da Bíblia, mas também ao cantarmos “salmos, hinos e cânticos espirituais” (Colossenses 3.16).
Evidentemente, isso não significa que a palavra cantada deve eclipsar a palavra proclamada, ou que a música deve substituir a leitura pública da Escritura ou sua pregação e ensino (1 Timóteo 4.13). Nem Jesus nem os apóstolos pregavam o evangelho cantando. Assim, a palavra cantada não rivaliza a palavra proclamada no ministério da igreja, mas deve funcionar como auxílio e complemento.
Ainda assim, o canto da Palavra de Deus (claro, desde que a Palavra de Deus esteja sendo cantada) é vitalmente importante e uma forma unicamente poderosa do “ministério da Palavra”. Esse fato nem sempre tem sido adequadamente reconhecido. De fato, muitos tem visto o canto congregacional como nada além de uma forma de fazer o sangue das pessoas ferverem para que possam ouvir com mais atenção a leitura e a pregação da Escritura.
Essa não era a visão do apóstolo Paulo. Ele enfatizou fortemente a função didática do canto congregacional. Pois, assim como louvor e oração, quando cantamos juntos, estamos instruindo e exortando uns aos outros. Isso também é claro em Efésios 5.19, onde Paulo fala de nos instruirmos e aconselharmos mutuamente por meio dos “Salmos, hinos e cânticos espirituais” (Colossenses 3.15-17).
Tal afirmação certamente faz do canto uma parte integral da vida e da saúde espiritual da igreja. Longe de ser um exercício de alongamento das pernas antes e depois do sermão, ele é, de fato, parte do sermão. É a parte em que todos nós pregamos – tanto para nós mesmos quanto para os outros.



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O Encargo Bíblico para a Revitalização de Igrejas

Bobby Jamieson
Por quase toda parte dos Estados Unidos (e algumas outras partes do mundo), algumas igrejas evangélicas quase literalmente poluem a paisagem.
Muitas dessas igrejas são como lixo deixado nas esquinas – elas fazem com que as pessoas atravessem a rua para evitá-las. As pessoas que pertencem a essas igrejas professam crer no evangelho, e suas declarações históricas de fé confessam o evangelho. E, de fato, alguns cristãos verdadeiros pertencem a tais igrejas. Mas, no geral, a vida da igreja difunde qualquer outra coisa, exceto a mensagem do evangelho. Essas igrejas emitem lixo tóxico, em vez do alimento nutritivo de que o povo necessita.
Algumas igrejas nesse estado podem ser irrecuperáveis. Mas o fato triste é: muitos evangélicos parecem satisfeitos em ignorar tais igrejas e simplesmente começar outras novas.
Plantar igrejas é importante e estratégico, e eu me alegro em ver mais e mais pessoas engajadas nessa obra.
Mas, se você visse um jardim coberto de ervas daninhas, simplesmente plantaria alguns belos lírios bem no meio dele? Se você não pudesse ouvir o noticiário da TV porque seu rádio estava alto demais, simplesmente aumentaria ainda mais o volume da TV?
Eu sugiro que a revitalização de igrejas – o trabalho de trazer vida a igrejas moribundas, ao lidar com as causas de seu declínio e edificá-las na fidelidade – é uma responsabilidade bíblica. Quero dizer, quando vemos essas igrejas agindo como antitestemunhas de Cristo, nós deveríamos, conforme a Escritura, tomar o encargo de fazer algoacerca disso. O propósito deste artigo é provar tal ponto.
Revitalização de Igrejas: Uma Prioridade Apostólica
Considere a carte de 1Coríntios. Paulo plantou a igreja em Corinto por volta de 50 d.C., e ele escreveu essa carta apenas alguns poucos anos depois, em resposta a relatos que ouvira acerca da igreja, assim como a algumas questões que a igreja lhe apresentara. Quais eram os problemas que levaram Paulo a escrever? Considere os seguintes:

  • Divisões e facções: alguns diziam “Eu sigo Paulo”, ou “Eu sigo Apolo” (1.10-17);
  • Tolerância à imoralidade sexual (5.1-13);
  • Demandas judiciais entre membros da igreja (6.1-8);
  • Confusão acerca do casamento e da sexualidade (7.1-40);
  • Divisão na igreja quanto aos limites da liberdade cristã (8.1-13; 10.1-33);
  • Disputas acerca da adoração (caps. 11-14);
  • E falsos ensinos acerca da ressurreição (cap. 15).

Se você olhar de soslaio e puser de lado as particularidades culturais, a igreja em Corinto, por volta de 55 d.C., é a imagem escarrada de muitas igrejas evangélicas hoje. Muitas igrejas hoje estão envoltas em uma parecida e potente mistura de falsos ensinos, imoralidade, divisão, contendas e mundanismo de toda sorte. Muitas igrejas hoje estão em semelhante necessidade de uma cirurgia pastoral radical, que possa salvar suas vidas e restaurar sua saúde.
Então, ao se deparar com esses problemas em Corinto, o que Paulo fez? Ele não disse: “Essas pessoas não têm esperança. Elas são uma mistura de falsos crentes e pessoas orgulhosas, teimosas e religiosas. Você não quer aquelas pessoas na sua igreja, de modo nenhum” – e então enviou Timóteo a ir e plantar uma nova igreja em Corinto.
Em vez disso, ele lidou com eles. Ele veio vê-los de novo e de novo. Ele os repreendeu e os instruiu e os suportou. Resumindo, ele trabalhou para reformar a igreja de Deus que estava em Corinto.
Sim, há descontinuidades entre a situação de Paulo e a nossa. Para citar apenas um exemplo, essa igreja era a única igreja em Corinto naquela época. Mas o ponto ainda permanece: em vez de deixar a igreja de Corinto simplesmente apodrecer em seu pecado, Paulo labutou para recuperá-la e restaurá-la. Um tipo semelhante de recuperação e restauração é exatamente o de que inúmeras igrejas evangélicas necessitam hoje.
E isso é consistente com as prioridades mais amplas de Paulo como um apóstolo. Diferentemente de alguns missionários contemporâneos, Paulo não tentava simplesmente começar o maior número de igrejas no menor tempo possível. Em vez disso, eis o que Paulo fez após a sua primeira viagem missionária: “Alguns dias depois, disse Paulo a Barnabé: Voltemos, agora, para visitar os irmãos por todas as cidades nas quais anunciamos a palavra do Senhor, para ver como passam” (At 15.36). E assim Paulo “passou pela Síria e Cilícia, confirmando as igrejas” (At 15.41).
Paulo estava tão preocupado com a saúde das igrejas as quais havia plantado que, apesar das imensas regiões do Mediterrâneo ainda por evangelizar, e de sua ambição de fazê-lo pessoalmente (Rm 15.20), ele voltou a uma região em que já havia labutado, a fim de fortalecer as igrejas. Eu sugiro que, se nós havemos de seguir os passos de Paulo, como a Escritura nos chama a fazer (1Co 4.17; 11.1; Fp 3.17), então nós deveríamos ter uma responsabilidade pela contínua saúde e firmeza das congregações que carregam o nome de “cristãs” e professam aderir ao evangelho.
Igrejas não são biodegradáveis. E, quando elas começam a desintegrar, podem exalar por anos, décadas ou até séculos um mau cheiro que ofusque o aroma de Cristo. Quando uma igreja é dividida, ela proclama que Cristo está dividido (1Co 1.13). Quando uma igreja tolera imoralidade, ela diz ao mundo que Cristo não é santo – e que os sexualmente imorais, os idólatras, os bêbados e os roubadores irãoherdar o reino de Deus (veja 1Co 6.9-11).
Então nós, como Paulo, deveríamos ter uma responsabilidade pela restauração, revitalização e reforma de igrejas que estejam em vários estágios de enfermidade. E nós temos não poucas dessas igrejas em nossas mãos, especialmente nos Estados Unidos.
Jesus, o Reformador de Igrejas
Nas cartas às sete igrejas de Apocalipse 2 e 3, o próprio Jesus trabalha para reformar aquelas congregações locais. Ele fala àquelas igrejas com o fim de consertar o que está quebrado, curar o que está enfermo, reprovar o que é falso, e dar nova vida ao que está morrendo.
Eis aqui uma amostra: Jesus reprova os efésios que eram doutrinariamente saudáveis, mas careciam de amor (Ap 2.2-7). Ele recomenda a igreja em Pérgamo por conservar o seu nome, contudo a reprova por acolher falso ensino e a chama ao arrependimento (Ap 2.13-17). Na igreja em Tiatira havia alguns que mantinham falso ensino, e Jesus promete julgá-los (Ap 2.20-23), mas recomenda o resto da igreja e os encoraja a perserverar (Ap 2.19, 24-28). E à igreja em Sardes Jesus diz:
Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto. Sê vigilante e consolida o resto que estava para morrer, porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus. Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido [...] Tens, contudo, em Sardes, umas poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras e andarão de branco junto comigo, pois são dignas (Ap 3.1-4).
Se você precisa de um versículo que sirva de texto-prova em favor da revitalização de igrejas, Apocalipse 3.2 o é: “Consolida o resto que estava para morrer”.
É verdade que esse versículo foi escrito à própria igreja, mas não deveriam igrejas irmãs e aspirantes ao pastorado exemplificar a compaixão de Cristo para com igrejas como aquela em Sardes? Não deveríamos nós ter uma preocupação com o remanescente fiel em tais igrejas, que sofrem nas mãos de falsos mestres?
Jesus reformou e revitalizou igrejas – sete delas apenas nesses dois capítulos. Nós deveríamos fazer o mesmo.
O Povo de Deus Carrega o Nome de Deus
Uma outra motivação que a Escritura nos dá para a reforma e revitalização de igrejas é que o povo de Deus carrega o nome de Deus. Os cristãos são batizados no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28.19). Os cristãos são o templo dos últimos dias, a corporificação do lugar onde Deus fizera seu nome habitar (1Rs 8.17, 19). A igreja é o povo que foi chamado pelo nome do Senhor, os quais ele criou para a sua glória, os quais ele formou e fez (Is 43.7).
Além disso, Deus é zeloso pela glória do seu nome (Is 48.9-11) – e nós deveríamos sê-lo também.
Mas, como dissemos, quando as igrejas definham no pecado, na divisão e no nominalismo, o nome de Deus se torna um motejo na comunidade. Tais igrejas difamam o nome de Deus, em vez de adorná-lo e magnificá-lo.
Uma igreja decadente e mergulhada no pecado é como um farol com a lâmpada e o refletor quebrados. Em vez de refletir a luz da glória de Deus milhas a frente, de chamar pecadores ao porto seguro da misericórdia de Deus, uma igreja assim deixa a noite tão negra quanto estava antes – ou até mais. É como uma estação de rádio cujo sinal foi sequestrado: não importa o que ela confesse crer, tal igreja difunde mentiras sobre Deus, em vez da verdade.
Assim, uma preocupação com o nome de Deus, o qual ele pôs sobre o seu povo – e sobre as suas assembleias corporativas em um sentido especial (Mt 18.20) – deveria nos impulsionar à reforma e revitalização de igrejas. Como Mark Dever tantas vezes disse, revitalizar igrejas é como um pague-um-leve-dois pelo reino. Você derruba uma má testemunha e ergue uma boa testemunha em seu lugar.
E Daí?
Se esta é uma defesa bíblica consistente, o que deveríamos fazer? Eu diria simplesmente que, à medida que nós pensamos em como propagar o evangelho e testemunhar para o reino, a revitalização de igrejas deveria ser uma importante opção a considerar. Deveria ser algo em que nossas igrejas pensassem, planejassem e pelo que orassem. Igrejas que desejem propagar e promover o evangelho devem estar preocupadas, assim como Jesus e Paulo, em fortalecer e restaurar o testemunho de igrejas com problemas.
Considere refletir sobre o que a sua igreja local pode fazer para ajudar outras igrejas locais que estejam com problemas. Conheça-as. Descubra as necessidades delas. Construa relacionamentos com elas. Esteja aberto a ajudá-las de todas as formas que puder, incluindo, se a oportunidade surgir, enviar um pastor e pessoas para ajudarem na obra de reforma.
Se você aspira ser um plantador de igreja, considere a revitalização de igrejas como uma alternativa além da plantação. Se você revitalizar uma igreja, pode estar glorificando a Deus e servindo o seu povo não apenas por estabelecer uma nova igreja (o que é essencialmente o que reformar uma igreja muitas vezes significa), mas também por limpar a sujeira que seus irmãos e irmãs deixaram pela cidade. Assim como nós limpamos fisicamente a nossa vizinhança, você pode ficar surpreso em como nossos vizinhos apreciam uma igreja espiritualmente renovada. E quem sabe quantas igrejas podem ser plantadas ou revitalizadas a partir da sua renovada congregação!
A revitalização de igrejas deveria ser nossa responsabilidade porque é responsabilidade de Deus, como visto no ministério pessoal do Senhor Jesus Cristo exaltado, e do apóstolo Paulo. O povo de Deus carrega o nome de Deus, então nós também deveríamos nos esforçar para fortalecer “o resto que está para morrer”.

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O Verdadeiro Propósito da Igreja

Mark Dever

O propósito da igreja está no âmago de sua natureza, atributos e marcas. E práticas corretas de membresia, governo e disciplina servem a esse propósito. Os objetivos apropriados da vida e ações de uma igreja local são a adoração a Deus, a edificação da igreja e a evangelização do mundo.1 Esses três propósitos servem, nessa ordem, à glória de Deus.
Pregação e adoração
A adoração coletiva de Deus acontece no contexto da congregação reunida, enquanto a adoração individual de Deus ocorre no contexto da vida diária de uma pessoa. Moldar e estimular tanto a adoração coletiva quanto a individual são aspectos significativos do propósito da igreja.
Adoração congregacional: elementos
A adoração a Deus no ajuntamento público consiste nos elementos específicos prescritos por Deus dentro de um conjunto de circunstâncias históricas específicas. A Palavra de Deus deve nortear a adoração coletiva de uma igreja. Como David Peterson escreveu: “A adoração ao Deus vivo e verdadeiro é, essencialmente, um engajamento com ele nos termos que ele propõe e da maneira que somente ele torna possível”.2 Ligon Duncan resumiu os elementos que devem estar inclusos na adoração coletiva, empregando o mote: “Leia a Bíblia, pregue a Bíblia, ore a Bíblia, cante a Bíblia e veja a Bíblia”.3Ao dizer “veja a Bíblia”, Duncan se referia à celebração do batismo e da Ceia do Senhor, que retratam o evangelho. Visto que esse aspecto da adoração coletiva foi considerado antes, os demais elementos da adoração coletiva que devem ser considerados aqui são ler a Bíblia, pregar a Bíblia, cantar a Bíblia e orar a Bíblia.
Os cristãos são ordenados a ler a Bíblia quando se reúnem para a adoração a Deus. Paulo exortou Timóteo nestes termos: “Até à minha chegada, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino”.4
No entanto, a Palavra de Deus não deve apenas ser lida, ela precisa também ser explicada e aplicada. Portanto, a pregação correta da Palavra de Deus é central no culto da igreja, constituindo a sua base e seu âmago. Uma vez que a fé vem por ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10.14-17), a Escritura tem de ser explicada com precisão e paixão. Por isso, Paulo exortou a Timóteo: “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina”.5
O dever de cantar louvores a Deus é imposto aos cristãos tanto por exemplos como por mandamento.6 Mateus e Marcos registram, a título de exemplo, o fato de que Jesus e os discípulos cantaram um hino depois da última ceia. Paulo instruiu à igreja de Éfeso: “Falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo”.7 Em última análise, os louvores da assembleia cristã na terra é uma prefiguração do louvor que será oferecido no céu.8
Outro elemento do culto de cristãos congregados é a oração. Na oração, os cristãos glorificam a Deus de várias maneiras: por fazerem conhecida sua confiança nele, por demonstrarem obediência ao mandamento de buscá-lo em oração, por lembrarem a fidelidade de Deus em responder às orações anteriores e por contarem com a bondade dele ao pedirem ainda mais.
Na oração coletiva, Deus é exaltado enquanto a igreja é edificada e encorajada. Jesus ensinou seus seguidores a orarem de forma coletiva começando com “Pai nosso”.9 Tiago exortou os primeiros cristãos: “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados”.10 O livro de Atos dos Apóstolos também está cheio de orações. Os primeiros cristãos “perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações”.11 Leitura e pregação da Palavra de Deus, cantar louvores e orar a Deus são os elementos exigidos no ajuntamento semanal de cristãos.
Por trás da afirmação de que o culto cristão deve consistir nesses elementos prescritos por Deus, está o entendimento protestante da suficiência da Escritura - a ideia de que as Escrituras revelam de modo suficiente tudo que o povo de Deus necessita para a salvação, confiança e obediência perfeitas. A suficiência da Escritura tem muitas implicações, incluindo a convicção de que a Escritura deve regular a maneira como o povo de Deus se aproxima dele em adoração. Este princípio tem sido chamado frequentemente “o princípio regulador”. O princípio regulador aplica a crença protestante na autoridade da Palavra de Deus à doutrina específica da igreja (muito frequentemente, ele é mencionado em discussões de culto público).
Muitas pessoas têm debatido que aplicações específicas devem ser extraídas do princípio regulador para os ajuntamentos semanais dos santos. Por exemplo, o princípio exige ou proíbe a coleta de ofertas durante um culto? Ter um coral? Usar teatro em lugar de um sermão? E assim por diante. No entanto, antes de considerar os pontos de aplicação específicos, o princípio básico deve ser firme e claramente estabelecido: Deus revelou que componentes básicos de adoração lhe são aceitáveis. Deixados à mercê de si mesmos, os seres humanos não adoram a Deus como deveriam, nem mesmo os que são abençoados por ele. Precisamos apenas lembrar o sacrifício inaceitável de Caim ou o bezerro de ouro dos israelitas.
Em resposta à falta de conhecimento dos homens e do desejo de adorar corretamente a Deus, ele dá graciosamente sua Palavra à humanidade. Os dois primeiros dos Dez Mandamentos mostram o interesse de Deus em como ele deve ser adorado.12 Jesus censurou os fariseus por alguns aspectos da adoração deles.13 Paulo instruiu a igreja de Corinto sobre o que deveria e não deveria acontecer nas reuniões deles.14 Em resumo, reconhecer o princípio regular equivale a reconhecer a suficiência da Escritura aplicada à adoração coletiva.15Na linguagem da Reforma, equivale a sola scriptura.
Adoração congregacional: circunstâncias
O tempo e o lugar de os cristãos se reunirem para adoração não são prescritos com clareza no Novo Testamento. Tanto lugares públicos (como o templo ou a beira de um rio) quanto lugares privados (como casas) são usados.16 O Novo Testamento também não tem qualquer coisa a dizer sobre várias outras questões de circunstâncias, como, por exemplo, se microfones podem ser usados para amplificar as vozes ou qual a ordem em que esses elementos devem acontecer quando a igreja se reúne. Responder a questões de circunstâncias como essas deve depender inevitavelmente da prudência de uma igreja.
No decorrer da história, a igreja julgou apropriado se reunir aos domingos por três razões. Primeira, Cristo ressuscitou num domingo.17Segunda, o Cristo ressuscitado se reuniu pela primeira vez com seus discípulos num domingo.18 E terceira, o padrão dos primeiros cristãos, no Novo Testamento, aponta para o domingo como o tempo da semana para a adoração coletiva, embora o domingo não fosse um dia de descanso para eles.19 Esse padrão foi logo incorporado à linguagem referente ao domingo como “o dia do Senhor”.20 De acordo com fontes primitivas da igreja cristã, esse era o costume universal para os cristãos.21 Por fim, no decorrer da história, os cristãos têm julgado apropriado dar as primícias da semana a Deus em reconhecimento de seu senhorio do todo, assim como o fazem com a sua renda.
Adoração individual
Além de promover e regular a adoração coletiva de Deus pela congregação, o propósito de missão da igreja inclui fomentar a adoração a Deus por parte dos indivíduos. A adoração não acontece somente nos cultos e reuniões públicos. Deve acontecer no viver diário do cristão. Por isso, Paulo exortou aos cristãos de Roma: “Apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”.22 Teologia vivenciada em ação e obediência responsáveis é adoração a Deus. Quando realizados com fé, todos os deveres da vida cristã, ordenados na Escritura, são meios de adorar a Deus. “E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”.23 Adorar a Deus é o objetivo supremo da igreja cristã, quer seja considerada universal ou localmente, ou na vida individual dos seus membros.
A igreja como um meio de graça
Além de olhar para o alto, a igreja existe a fim de olhar para o lado. Em outras palavras, o propósito vertical da igreja - adorar a Deus - exige seu propósito horizontal: trabalhar para evangelizar o perdido e edificar a igreja.
A própria igreja é um meio de graça, não porque dá salvação à parte da fé, mas porque é o meio designado por Deus que o Espírito Santo usa para proclamar, ilustrar e confirmar o evangelho de salvação. A igreja é o canal pelo qual fluem normalmente os benefícios da morte de Cristo.
Edificação: discipulado individual e crescimento
O propósito da igreja é, em parte, encorajar os cristãos individuais na fé e no relacionamento com Cristo. Com esse alvo em mente, Paulo rogou que a igreja em Éfeso crescesse “em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor”.24 Quando o autor de Hebreus exortou seus leitores a se congregarem regularmente, indicou o propósito de se encorajarem mutuamente: “Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima”.25
Edificação: comunidade edificadora
A vida de toda a congregação junta deve ter como alvo a edificação coletiva, uma ideia que tem suas raízes no povo de Deus do Antigo Testamento. Deus criou um povo, no Antigo Testamento, para ser especialmente abençoado por sua presença, promessas e poder. O alvo de Deus para eles era que manifestassem a sua fidelidade e o seu senhorio, por olharem com expectativa para o dia prometido de sua vinda. A nação deveria ser um povo marcado por santidade.
No Novo Testamento, o povo de Deus é a igreja. Numa congregação local, a comunhão como um todo deve manifestar a santidade de Deus por meio de sua santidade. O amor de Deus deve ser refletido no amor que eles demonstram uns para os outros. A unidade de Deus deve ser refletida na unidade deles.26 A comunhão de crentes em uma congregação deve ser um companheirismo no labutar por edificação mútua e por fidelidade na evangelização.
Evangelização
Outro propósito da igreja local é levar a Palavra de Deus aos de fora da igreja.27 Jesus ordenou aos discípulos: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado”.28 Ele também lhes disse que o perdão dos pecados seria pregado em seu nome, “começando de Jerusalém”.29“Sereis minhas testemunhas”, disse-lhes Jesus, “tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (Atos 1.8).
Oportunidades para ministrarmos aos outros surgem naturalmente na vizinhança e na cidade onde vive uma congregação. As boas novas se propagam mais naturalmente não só onde a congregação realiza suas reuniões, mas também onde seus membros espalhados vivem seus dias de semana. A vida deles deve ser conhecida pelos amigos, vizinhos e colegas não cristãos. O testemunho deles deve ser melhorado enquanto todos os de fora observam constantemente a conduta deles.
Missões
O propósito exterior da igreja não está limitado a evangelizar a própria cidade onde a congregação vive. As orações e os planos de uma congregação devem se estender para além de restritos horizontes de familiaridade. O mandamento de Jesus para irmos até “aos confins da terra” nos lembra que Cristo é Senhor sobre tudo, que ele ama todos e nos chamará à prestação de contas no grande dia. Portanto, os cristãos de hoje têm a responsabilidade de levar o evangelho a todo o mundo. Essa responsabilidade não é apenas do cristão individual, mas também das congregações. Os cristãos juntos podem compartilhar sabedoria, experiência, sustento financeiro, orações e vocações, e direcionar tudo isso para o propósito comum de tornar o nome de Deus conhecido entre as nações.
Em muitas igrejas hoje, esse propósito exterior pode exigir reestruturar a vida de modo que os membros da congregação interajam naturalmente com populações de nãos cristãos em áreas metropolitanas. Em todas as igrejas, esse propósito exterior significa orar e planejar para enviar recursos e pessoas àqueles grupos de indivíduos que ainda não ouviram o evangelho de Jesus Cristo. Testemunhar a glória de Deus sendo proclamada ao redor do globo no coração de todo o seu povo deve ser o alvo e propósito de toda igreja local.
Sempre a glória de Deus
O aspecto final e mais importante do propósito da igreja é a glória de Deus.
No Antigo Testamento, Deus criou um povo para a glória do seu nome.30 Mesmo quando os salvou dos resultados de seus próprios pecados, Deus o fez para a glória do seu nome. Por meio de Ezequiel, Deus falou:
“Não é por amor de vós que eu faço isto, ó casa de Israel, mas pelo meu santo nome, que profanastes entre as nações para onde fostes. Vindicarei a santidade do meu grande nome”, que foi profanado entre as nações, o qual profanastes no meio delas; as nações saberão que eu sou o Senhor, diz o Senhor Deus, quando eu vindicar a minha santidade perante elas.31
Isso também é verdadeiro no Novo Testamento. A igreja existe para a glória de Deus. Quer realizando missões ou evangelização, quer edificando uns aos outros por meio de oração e estudo bíblico, bem como encorajando o crescimento em santidade ou se reunindo para louvor, instrução e oração pública, esse propósito singular prevalece. A igreja é o único instrumento que produz essa glória para Deus. De acordo com a Bíblia, a intenção de Deus é “que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor”.32 O que está em jogo na igreja é nada menos do que a proclamação da glória de Deus em toda a sua criação. Como disse Charles Bridges: “A igreja é o espelho que reflete todo o esplendor do caráter divino. É o grande cenário em que as perfeições de Jeová são mostradas ao universo”
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